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Parceria entre ex-rivais dá impulso para Lagoa ganhar CT do remo

May 7, 2017

Marcelo Neves e Marcos Amorim, ex-treinadores de Vasco e Flamengo, agora vestem o mesmo uniforme: projeto do CT do remo na Lagoa - Paulo Nicolella / Agência O Globo

 

Para que dois rivais de décadas dividam o mesmo barco, vale a lei fundamental da remada: ou as pancadas entram em sintonia, ou o barco não sai do lugar (e talvez até afunde). Fosse há alguns anos, Marcos Amorim e Marcelo Neves estariam travando uma disputa acirrada no comando de equipes adversárias no Estadual de remo, cuja primeira regata de 2017 acontece neste domingo, na Lagoa Rdrigo de Freitas.

 

Marcelo, que passou 22 anos treinando o Vasco, e Marcão, que dividiu duas décadas entre Botafogo e Flamengo, terão seu primeiro ano como parte do mesmo time: juntos, eles tomaram a frente de um projeto para operacionalizar o Estádio de Remo, local da regata deste domingo, como principal Centro de Treinamento da modalidade no Brasil.

 

A inauguração do CT do remo na Lagoa já tem data marcada: 18 de maio, uma semana depois do início do Estadual. A iniciativa tem aval da Suderj, governo estadual, Ministério do Esporte, Comitê Olímpico do Brasil (COB) e Confederação Brasileira de Remo (CBR), cujos representantes são aguardados na cerimônia. Marcão, Marcelo e o ex-remador Pedro Paulo da Silva Soares, o Pepê, hoje professor do Departamento de Fisiologia da UFF, são os responsáveis por tocar o projeto do CT dentro de uma diretoria técnica da Federação de Remo do Rio.

 

Marcão e Marcelo, um como treinador do Flamengo e o outro pelo Vasco, acompanharam de perto as obras feitas no Estádio de Remo da Lagoa para receber os Jogos Olímpicos do Rio. Além da nova torre de chegada e da reforma na garagem dos barcos, houve uma reconstrução das salas internas e a possibilidade de chegarem novos equipamentos esportivos. Tudo isso chamou atenção da dupla, que havia acabado de ficar sem clube.

 

- Apesar da nossa rivalidade, telefonei para dar força ao Marcão quando ele foi desligado do Flamengo, no início de 2016. E ele fez o mesmo meses depois, quando eu saí do Vasco. Foi nesse telefonema que começamos a conversar sobre um legado para o remo. Já havia uma frustração por conta do Pan de 2007, que não deixou quase nenhum - explica Marcelo. - Todas as discussões indicavam a importância da criação de um CT, e levamos essa ideia para o Paulo (Carvalho, presidente da Federação do Rio). Nossa primeira reunião foi em um quiosque aqui na Lagoa.

 

‘Na época de clube, já faltou muito pouco para eu e Marcelo sairmos na mão por situações de prova. Agora a gente não quer saber de porrada, isso só leva o remo pra baixo’ segundo Marcos Amorim ex-treinador de Botafogo e Flamengo

 

Isso era inimaginável, com certeza. Na época de clube, já faltou muito pouco para eu e Marcelo sairmos na mão por situações de prova - lembra Marcão. - Agora a gente não quer saber de porrada, isso só leva o remo pra baixo. Nossa prioridade com o CT é abrir as portas para a seleção brasileira, mas será algo muito mais amplo. Queremos trabalhar desde a captação de atletas até o alto rendimento.

 

A gestão do CT não é a primeira empreitada dos ex-treinadores lado a lado. Marcão, de 56 anos, e Marcelo, de 49, se conhecem desde a adolescência, quando eram remadores do Flamengo. Na época, além do barco, dividiam até ônibus: moradores respectivamente de Água Santa e Meier, bairros vizinhos na Zona Norte do Rio, ambos costumavam se encontrar no transporte público antes do sol nascer, para chegarem à Lagoa a tempo dos treinos, que começavam 5h30m da madrugada.

Décadas de rivalidade depois, Marcão e Marcelo agora levam a palavra "parceria" como mantra. Além da ideia de atender clubes e seleção, do Brasil e do exterior, o funcionamento do CT passa pelo apoio de instituições como a Marinha e a Arquidiocese do Rio, que levarão projetos sociais para o local.

 

- De todos os esportes, o remo é o que mais evidencia a importância do trabalho em equipe. No futebol, se um jogador está mal os outros 10 ainda podem resolver. Já um barco de Oito Com, por exemplo, não é assim: se uma peça não funciona em sincronia com as outras, esquece, não vai andar - compara Marcelo.

 

EQUIPAMENTO SOB DÚVIDA

Marcão e Marcelo apostam em atrativos do CT para a alta performance, como cursos de capacitação para treinadores, avaliação fisiológica e física de atletas e aperfeiçoamento técnico através do BioRow, equipamento de análise eletrônica de remadas que é raridade no Brasil. A ideia é abrir o novo espaço não só aos atletas de ponta, mas também a jovens e potenciais entusiastas do remo, como incentivo a aumentar a base de atletas no país.

 

Há, é claro, a necessidade de preencher o espaço não só com material humano, mas também com aparato técnico. Os idealizadores do CT desejam contar com equipamentos trazidos pelos Jogos do Rio que não ficavam "presos" à estrutura do estádio. No caso do remo, a confederação recebeu ergômetros, barcos de treinamento, palamentas (o remo propriamente dito) simples e duplas e quatro catamarãs, entre outros materiais de suporte. Quase tudo está armazenado desde o fim dos Jogos em um depósito em Florianópolis, à espera de destino.

 

No mesmo barco: ex-rivais tocam projeto do CT do remo - Paulo Nicolella / Agência O Globo

 

O presidente da CBR, Edson Altino, reconhece que o futuro CT da Lagoa é tratado junto à Federação Internacional de Remo (Fisa) como o principal espaço de alta performance do Brasil. Mas não pretende destinar todo o equipamento olímpico para o Rio.

 

- Cada federação fez um projeto para receber esses equipamentos. Vale o mesmo caso queiram aproveitá-lo no CT. Mas não será destinado para uso contínuo, e sim pontual. O equipamento olímpico é destinado a atender o calendário de eventos da confederação, entre seletivas e regatas - justifica Altino.

 

ESTADUAL COMEÇA NO DOMINGO

 

A Federação do Rio planeja insistir nas negociações com a CBR pelos materiais olímpicos. Embora o Estádio de Remo tenha se beneficiado da estrutura deixada na Lagoa -- novos pontões de partida, rampas de acesso e o sistema Albano de raias --, o equipamento técnico é visto como um trunfo para que o CT do remo possa atender clubes do Brasil e até grupos do exterior.

 

- De todos os esportes, o remo é o que mais se beneficiou em termos de legado. O CT pode ser uma referência na América Latina para o remo - projeta o presidente da FRERJ, Paulo Carvalho.

 

Antes de abrir oficialmente como CT, o Estádio de Remo recebe neste domingo a primeira regata do Estadual. O Botafogo, atual tetracampeão, defenderá seu título. A atmosfera de competição reaviva lembranças em Marcelo, multicampeão pelo Vasco, e Marcão, quase hegemônico quando dirigiu o Flamengo no Estadual. Marcelo não sabe dizer quem venceu mais o outro na época de clube: virou um detalhe do passado.

- Acredita que eu nem sei? Sempre penso que a conquista mais importante é a próxima.



Leia mais: https://oglobo.globo.com/esportes/parceria-entre-ex-rivais-da-impulso-para-lagoa-ganhar-ct-do-remo-21299275#ixzz4kAJYpqm4
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